
Andava um tipo descansado a moribundar pela Net à procura de material para mais uns comentários em blogues alheios, e dou por mim a olhar, mais uma vez, para a brava estrofe de abertura de A Tabacaria de Álvaro de Campos:
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Enquanto constato que embora possamos sempre almejar a escrever umas tiradas porreiras, o nível de genialidade pura para escrever algo que toque tão profundamente outros seres humanos só está ao alcance de uma mão-cheia de bafejados pela fortuna genética, dos quais Fernando Pessoa foi certamente um dos mais brilhantes.
E como o próprio disse:
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

