Um amigo que eu muito respeito, numa das suas tiradas musicais de que sou fã, enumera alguns temas musicais que na sua opinião e apenas isso representariam um certo som agressivo do rock, a famosa riffalhada que faz querer abanar a cabeça e saltar ao ritmo dos acordes que saem das guitarras, baixo e bateria, o famoso Power Trio que está na base do Rock clássico.
Apesar das suas escolhas se concentrarem essencialmente na segunda metade do anos 70, altura em que era mais jovem e influenciável, diz ele que com excepção de 1 ou dois temas, nada de novo apareceu desde então...
Estamos a falar dos anos 80 até agora... 29 anos inteirinhos em que nada, aparentemente, se passou no que diz respeito ao Rock mais pujante.
Lembro-me do que foi o Punk para a geração anterior que ouvia Glam Rock, dançava Disco ou suspirava com os Beatles, quando de repente lhe entram pelos ouvidos uns tipos asquerosos aos berros a dizer 3 palavrões em cada 4 palavras, a arranhar guitarras sebosas e meio-partidas, algumas com cordas a menos, desafinando completamente cada um para seu lado.
Os velhos do Restelo lá diziam que o Rock tinha finalmente morrido, que nada de novo tinha sido feito desde os Doors ou do álbum branco dos Beatles, etc etc...
Mesmo desconsiderando o Heavy Metal e Hard Rock que dominaram os anos 80 e que degeneraram, tal como o Punk, num comercialismo atroz, nos anos 90 como reacção aos excessos da década anterior, aparecem as sonoridades híbridas que quebraram barreiras entre géneros, do Nu Metal e Rap Rock dos Faith No More e Korn ao Rock Alternativo dos Radiohead.
Já no Sec XXI, a tendência retro tomou conta da cena rock, com o revivalismo Pós-Punk dos Franz Ferdinand, The Killers e os Interpol que recuperaram a estética e valores do pós-punk dos anos 80.
Na vertente mais agressiva, o Garage Rock (movimento underground popular nos anos 60 e também nos anos 80) voltou à berra, com a ajuda da Internet e das redes sociais electrónicas com bandas como os The White Stripes, Kings of Leon, Arctic Monkeys, Black Rebel Motorcycle Club e Dandy Warhols.
E até por cá, se vão fazendo coisas novas, como os Mão Morta, os Clã, Blasted Mechanism, Wraygunn e Kalashnikov continuam a mostrar que há vida para além dos Xutos!
Afinal as notícias da morte do rock foram algo exageradas. Como sempre fez, apenas mudou de roupa e maquilhagem
Enquanto os mais distraídos continuavam a seguir a decadência natural dos velhos dinossauros sobreviventes das décadas anteriores, na sua sombra os novos mamíferos espreitavam a sua oportunidade de guitarras em punho e baterias apontadas, para fazer a próxima revolução num ciclo infindável que se repete a cada geração.
