Eu sinto, logo existo

3 Comments
Cogito, ergo sum


Todos nós decerto que já fomos confrontados com decisões mais ou menos complicadas ao longo da nossa vida.
Dependendo da complexidade do problema e da nossa personalidade, todos nós decerto já desabafámos ou pedimos ajuda à nossa cara-metade, a um amigo mais experiente, ou até aos nossos pais.

Sempre que essas decisões envolvem sentimentos e emoções, sem dúvida que nessas conversas chega o ponto onde nos dizem para pensar a frio no problema. Para não deixar que as emoções nos toldem a razão. Para pensar objectivamente, a frio no problema, pois só assim podemos tomar decisões acertadas.

Esses conselhos não podiam estar mais longe da verdade.

Não creio que possamos ter razão sem emoção, decisões sem sentimentos.
A ausência ou a supressão ainda que parcial das emoções e dos sentimentos na verdade destrói a racionalidade ao invés de melhorar o processo de decisão.
A razão, por si só, não sabe quando começar ou parar de avaliar custos e benefícios para uma tomada de decisão. São as nossas emoções que seleccionam as opções de escolha, porque estão intimamente associadas à memória ou seja, ao contexto em que a memória é adquirida na experiência individual.

Quando sentimos medo de cães porque algures no nosso passado fomos mordidos, essa má experiência foi registada na nossa memória como a consciência da mordidela, mas também o estado ou as sensações do corpo nesse momento, incluindo os químicos que o corpo produziu, etc., e portanto sempre que necessitamos de decidir sobre algo que envolva cães - como por exemplo fazer uma festinha ao pastor alemão de um amigo - a nossa mente irá aceder às memórias que possuímos desse estado gravado em memória e sentimos medo (arrepios na espinha, pupila dilatada, etc.), e por muito que o dono do cão nos diga o contrário, na nossa experiência estender a mão ao cãozinho resulta em mordidela dolorosa.
Embora a nossa razão possa depois decidir fazer uma festinha ao cão, foram as nossas emoções que seleccionaram e filtraram as opções baseadas na nossa experiência.

Portanto não pode haver um comportamento puramente racional sem a influência da emoção, e por outro lado não basta reagir aos desafios do meio ambiente com emoções primárias.

Como escreve António Damásio no brilhante O Erro de Descartes, ao contrário de Descartes e Kant, o raciocínio não deve ser feito de uma forma pura dissociada das emoções, elas são uma parte indispensável da nossa vida racional e são elas que nos permitem manter o equilíbrio nas nossas decisões e no fundo é o nosso comportamento emocional que nos faz únicos.

Cristina Rodo

Não estou a acreditar... tens esta coisa com comentários a terem de ser aprovados?! Caguinchas!!!!

2009-10-12 18:45:56

Cristina Rodo

Bem... agora fiquei sem saber se o meu primeiro comentário "passou" ou não... olha, tivesses isto em aberto... Grunf!

2009-10-12 18:46:56

Ferreira

Esta coisa já tem os comentários abertos e portanto já podes comentar à vontade.

Como não tenho net em casa neste momento só consegui tratar do assunto agora.

Sorry :-)

2009-10-13 14:38:33